Os brasileiros e o consumo no pós-isolamento

O Instituto FSB Pesquisa entrevistou, por telefone, 2.005 pessoas com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs) para saber sobre os brasileiros e o consumo no pós-isolamento. A margem de erro no total da amostra é de 2 pp, com intervalo de confiança de 95%. A amostra é controlada a partir de quotas de: (a) sexo, (b) idade, (c) região e (d) tipo de telefonia (fixa e móvel).

Após a pesquisa, foi aplicado um fator de ponderação para corrigir eventuais distorções em relação ao plano amostral. Devido ao arredondamento, a soma dos percentuais podem variar de 99% a 101%.

As entrevistas foram realizadas por entrevistadores por meio de telefones fixos e móveis entre 2 e 4 de maio de 2020.

• Estatístico responsável: Neale El-Dash, Conre 8656-A.
• Direção: Marcelo Tokarski, diretor do Instituto FSB Pesquisa.


Sentimentos em relação à pandemia

Os brasileiros estão cada vez mais preocupados com a pandemia de coronavírus. De acordo com a pesquisa feita a pedido da CNI, 80% da população consideram a situação da pandemia grave no Brasil. Há pouco mais de um mês, em pesquisa feita pelo Instituto FSB Pesquisa nos dias 26 e 27 de março, 64% diziam que a situação era grave. Agora, 53% dizem ter medo grande da pandemia e só 21% dizem ter pouco ou nenhum medo. Ainda de acordo com 74% dos entrevistados, nos próximos 15 dias o número de mortes no Brasil vai aumentar.

Tudo isso mesmo com uma minoria das pessoas tendo sido contaminada ou tendo contato direto com alguém que contraiu a Covid-19. Apenas 1% dos entrevistados disse ter tido a doença, enquanto outro 1% afirmou morar com alguém que já foi contaminado pelo vírus. Do total de entrevistados, 1/3 pertence ao grupo de risco da doença, ou seja, têm mais de 60 anos e/ou apresenta alguma comorbidade.

Isolamento social

A pesquisa de consumo no pós-isolamento mostra um amplo apoio da sociedade às medidas de isolamento social: 86% dos entrevistados disseram ser a favor das medidas, contra apenas 11% contrários. No entanto, apesar da alta aprovação, a parcela de pessoas que dizem estar em isolamento, saindo de casa apenas para coisas essenciais é menor: 58%. Outros 26% dizem estar saindo de casa com alguma frequência, mas adotando os cuidados necessários. Uma minoria (9%) afirma estar em isolamento social completo, sem sair de casa para nada. E outros 7% disseram que não alteraram em nada sua rotina após o início da pandemia.

Em relação ao trabalho, 28% dizem estar saindo de casa para trabalhar, 19% estão afastados temporariamente do trabalho, 13% estão trabalhando em home office e 39% não trabalham (percentual que inclui desempregados e pessoas não economicamente ativas, como aposentados, pensionistas, estudantes e donas(os) de casa). Dentre que está saindo de casa para trabalhar, a ampla maioria (88%) é formada por pessoas cuja atividade não pode ser exercida de casa. Embora em sua maioria digam que estão cumprindo o isolamento social, os brasileiros afirmam que em suas cidades uma parcela expressiva da população está saindo às ruas. Apenas 9% dos entrevistados dizem que a população da sua cidade está cumprindo o isolamento social.

isolamento

saida de casa

Pós-Covid

A pedido da CNI, o Instituto FSB Pesquisa investigou a forma como o brasileiro pretende se comportar após o fim das medidas de isolamento social ainda em vigor. E os dados mostram que a maioria da população pretende mudar seu comportamento no cenário pós-Covid. Apenas 30% dos entrevistados afirmaram que retomarão a mesma rotina de antes da pandemia. Mas pouco mais de 2/3 dos brasileiros pretendem mudar seu dia a dia, soma de 26% que falam em adotar uma rotina totalmente diferente, 36% que apostam em uma rotina um pouco diferente e 7% que projetam ter uma rotina bastante parecida com a anterior.
medo

Impactos na economia, emprego e renda

Para 88% dos entrevistados, é grande o impacto da pandemia de coronavírus na economia brasileira. Apenas 3% falam ou pouco ou nenhum impacto. Dentre quem trabalha, 48% dizem ter medo grande de perder o emprego. Sobre as perspectivas quanto à renda mensal, o quadro também é preocupante. Apenas 36% das pessoas dizem que continuarão recebendo normalmente seu salário ou renda mensal. Já ficaram sem renda 23% dos entrevistados, enquanto outros 17% tiveram redução nos seus rendimentos mensais.

Gastos em geral

De cada 4 brasileiros, 3 disseram que reduziram seus gastos após o início das medidas de isolamento social. Essa redução é considerada grande para 40% e média para 45%. Dentre quem reduziu seus gastos, 42% justificam pela insegurança quanto ao futuro, 30% por ter perdido ao menos parte da renda e 26% devido ao isolamento em si. Do ponto de vista da economia, a boa notícia é que, ainda dentro de quem reduziu os gastos, a maioria (69%) afirma que essa redução é temporária, enquanto 29% afirmam que ela é permanente.

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Consumo durante o isolamento

O comportamento do consumidor brasileiro mudou bastante durante o atual período de isolamento social. Alguns segmentos da indústria se beneficiaram, com aumento dos gastos por parte das famílias. Outros tiveram manutenção ou redução. A pesquisa investigou 15 setores. Três deles tiveram aumento no consumo: produtos de limpeza (68% ampliaram os gastos), produtos de higiene pessoal (56%) e alimentos comprados em supermercados (49%). Os demais tiveram a maior parte das pessoas declarando que mantiveram os gastos. Já os que tiveram maior número de pessoas reduzindo seu consumo durante o isolamento social são calçados (40% reduziram os gastos), roupas (37%), cosméticos (32%) e móveis (31%).

Consumo produtos

Consumo pós-isolamento

A pesquisa de consumo no pós-isolamento também investigou como os brasileiros pretendem se comportar como consumidores após o fim do isolamento social. Para todos os setores testados, a maioria (percentuais que variam de 50% a 72%) pretende manter no pós-Covid o nível de consumo adotado durante o isolamento, o que pode indicar que as pessoas não estão dispostas a retomar o mesmo patamar de compras anterior à pandemia de coronavírus. Um exemplo disso é a compra de roupas. Durante o isolamento, 51% mantiveram os gastos, 37% reduziram e 10% ampliaram. Para o futuro, 61% falam em manter o atual padrão de consumo, 20% em aumentar e 19% em reduzir.

Para além das projeções relacionadas a segmentos da produção industrial, o Instituto FSB Pesquisa investigou ainda em quanto tempo após o fim do isolamento social o consumidor brasileiro pretende comprar alguns bens de consumo duráveis. Os entrevistados deveriam responder se pretendem comprar em até 3 meses, em até 6 meses, em até 1 ano, se não pretende comprar antes de 1 ano ou se não têm pretensão de comprar em momento algum. Os dados dão um indicativos de quais setores podem ver suas vendas reagirem mais rápido após o fim do isolamento social.
Dos 11 bens de consumo testados, dois despontam como os que terão maior procura no curto prazo (até 3 meses): roupas (34%) e calçados (31%). Todos os nove demais (incluindo eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis) têm menos de 10% das pessoas afirmando que pretendem comprar no prazo de 90 dias pós-isolamento.

Quando se leva em consideração o período de até um ano após o fim das medidas restritivas, além de roupas (70% das pessoas pretendem comprar nesse prazo) e calçados (66%), despontam móveis (28%), celulares (27%), eletroeletrônicos (23%) e eletrodomésticos (23%), todos acima do patamar de 20% de intenção de compra em até um ano.

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Comércio

A pesquisa de consumo no pós-isolamento também investigou a intenção do brasileiro em voltar a frequentar supermercados, bares e restaurantes, shopping e o comércio de rua. A menor mudança se dará na frequência aos supermercados: 76% falam em voltar a fazer como antes ou até ampliar a frequência, enquanto 24% projetam reduzir o número de idas a esses estabelecimentos. No caso do comércio de rua, 57% falam em manter ou ampliar, enquanto 41% esperam reduzir. A população se divide em relação aos shoppings: 47% falam em manter ou aumentar a frequência e 48%, em reduzir. Por fim, há 44% dizendo que manterão ou ampliarão e 52% dizendo que reduzirão a ida a bares e restaurantes.

Endividamento

Mais da metade dos brasileiros (53%) está endividada. E, dentre quem possui alguma, 28% passaram a ter alguma dívida nos últimos 40 dias, ou seja, após o início do período de isolamento social. A inadimplência provocada pela crise também preocupa: 40% dos endividados disseram que já atrasaram o pagamento de algum débito, sendo que, desses, mais da metade (57%) começou a ficar inadimplente nos últimos 40 dias. Além disso, só 52% dos endividados afirmam que conseguirão quitar todas as suas dívidas nos próximos 30 dias.endividamento

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Comércio on-line

Embora dados do setor mostrem um incremento no volume de vendas, poucos brasileiros mudaram seu comportamento em relação ao comércio online. Quase metade dos entrevistados, ou 47%, afirma que não comprava antes da pandemia e não pretende passar a fazer compras na internet. Outros 42% afirmaram que já faziam compras antes. Apenas 11% mudaram de comportamento, soma de 3% que passaram a fazer compras online e 8% que ainda não fizeram, mas disseram pretender fazê-lo.

Importância da indústria

Na avaliação de 8 em cada 10 brasileiros, por causa da pandemia e seus impactos no fluxo mundial de mercadorias e matérias-primas, é importante fortalecer a indústria nacional para reduzir a dependência do Brasil para outras economias.

Retorno ao trabalho

Outro aspecto investigado pela pesquisa de consumo no pós-isolamento é em relação ao comportamento dos brasileiros na volta ao trabalho. Dentre quem está empregado, 43% se dizem seguros para voltar a trabalhar em suas empresas. Há 39% que se dizem mais ou menos seguros, enquanto uma minoria (18%) relata insegurança. Quase todos os entrevistados (96%) consideram importante das empresas adotarem medidas de segurança no ambiente de trabalho, como uso de máscaras e distanciamento mínimo entre os colaboradores. E a grande maioria (85%) acredita que essas medidas são eficientes para garantir a saúde dos trabalhadores.

Amostra

Essa pesquisa de consumo no pós-isolamento foi realizar pela empresa FSB Pesquisas e a amostra do público entrevistado pode ser vista abaixo:

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